domingo, 17 de julho de 2022

Arthur

Arthur senta-se na cadeira.
Arthur pega uma boa e velha dose de seu whisky favorito.
Arthur cauteriza a sua alma com aquele líquido amarelado - amadeirado.
Arthur coloca a mesma música, todos os dias.

Dias repetitivos, pensamentos repetitivos,
Sentimentos? Não, estes não se encontram mais.
Estes já se foram há muito tempo, junto do brilho de seus olhos,
Junto de mais um pôr-do-sol.

Acende um charuto já ressecado pela falta de cuidado,
Esboça um leve sorriso do canto de sua boca e diz para si mesmo:
- Doses homeopáticas...
Sabia que estava se envenenando e, no fundo, gostava disso.

Estava cansado.
Cansado de se esforçar, de se doar, de se doer.
Ah, como estava cansado!
Naquele momento, o silêncio era seu companheiro de honra.

É no silêncio que Arthur bebe seu whisky.
É no silêncio que Arthur fuma seu charuto.
É no silêncio que Arthur retoma o fôlego.
É no silêncio que Arthur fica surdo pelos gritos da sua alma.



Nenhum comentário:

Postar um comentário