Coralina era doce como o perfume das flores, dançava em meio aos campos de braços abertos girando em direção ao céu. Seu cabelo cor de fogo incendiava as folhas secas que o vento tirava para dançar. Seu espírito era tão único, tão singular, que me encantava a cada volta em seu próprio eixo.
Tal existência parecia flutuar entre os próprios passos. Seu sorriso roubava todas as atenções, ofuscando qualquer sentimento negativo em meu ser. Ali fiquei por algum tempo, contemplando a magnificência daquele pequeno momento no paraíso. Até que Coralina parou de costas para mim e, com uma leve inclinação de seu pescoço, me olhou por cima do ombro.
Céus, seu olhar atingiu diretamente o fundo de minha alma. O impacto foi brutalmente sentido por todo o meu corpo, corpo que adormeceu no mesmo instante, meu espírito havia se separado da carne. Fui atropelado por um sentimento que não me deixava dúvidas, eu a amava.
Um sorriso bobo pulou do meu rosto, meus olhos estavam perdidos em cada detalhe daquela garota escondida atrás de seu próprio ombro. O perfume daqueles longos cabelos chamuscados arrancava todo e qualquer pensamento que ousava invadir seu reinado absoluto. Um doce aroma de frutas vermelhas ecoava dentro de minhas vias respiratórias e causava um estrago inigualável.
Fui em direção à ela, passos lentos, ainda receosos e a abracei sutilmente. Suas mãos acariciavam meus braços enquanto olhava nos meus olhos. Não dizia uma palavra, embora nenhuma conseguiria descrever o sentimento mútuo ali presente. Apertei meus braços contra seu corpo e pousei minha cabeça no seu ombro direito. Um longo suspiro tomou conta dos segundos posteriores.
Coraline ergueu a mão esquerda em direção à minha cabeça e começou a acariciar meu cabelo. Ah, como eu gostaria que aquele momento fosse eterno! Ergui um pouco a cabeça, apoiando meu queixo então em seu ombro e disse:
- Eu te amo, por Deus, como eu te amo…
No mesmo instante, Cora saiu dos meus braços e ficou de frente para mim. Sua mão acariciava a maçã do meu rosto, mas sua expressão havia mudado. Olhos lacrimejados tomavam o espaço ocupado pela alegria de antes. Um sorriso trêmulo e lágrimas desciam em direção ao chão. Abaixei a cabeça olhando para a grama verde sob meus pés, afastei sua doce e delicada mão de minha pele:
- Já entendi, Cora… Se cuide, tá?
Ergui a cabeça e dei, por fim, um beijo em sua testa.
Virei-me de costas e voltei a seguir o meu caminho. Um caminho chamado vida, um caminho que me levaria para lugares inimagináveis. Um caminho onde o ponto final é desconhecido.
Um caminho feito para ser seguido só.
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