Um longo suspiro, o som de sua respiração se mistura com a natureza. Neste momento, neste singelo momento, abre seus olhos em direção às nuvens. Desenhos apresentam-se para aquela que dança no jardim de lavandas - Está em paz.
Em uma fração de segundos, o tempo se torna cinza. Levando suas mãos em direção ao peito, Anna sente um forte aperto no coração. As nuvens ficam carregadas e relâmpagos deslizam pelos ares. O que está acontecendo?
Sua respiração acelera, começa a correr, voltando todo o caminho que havia percorrido. O laço vinho escapa de seu chapéu, pairando acima das flores roxas do jardim. Neste momento, neste macabro momento, se dá conta de que não sabia de onde viera, muito menos para onde estava indo. O que diabos estava fazendo ali?
Sem olhar para o chão onde pisa, tropeça e cai.
Recuperando o fôlego perdido e se arrumando no sofá, Anna acorda no solavanco e sente os pingos de chuva entrarem pela janela de seu apartamento. Passa a mão pela testa já molhada, coloca o livro que estava aberto em seu colo na mesa de centro de sua sala, pega o resquício de um café que outrora exalava calor, toma um gole forçado e olha para o céu cinza de uma tarde de inverno. Nesta sequência, sem qualquer indício da fluidez que estava presente em seu sonho.
Há beleza ali, mais beleza do que em qualquer jardim de lavandas.
Um café inacabado, um livro fechado e, por fim, as gotas de chuva que ligam os dois mundos daquela garota dona dos cabelos da noite.
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