Any vivia uma vida tranquila, era cercada de amigos, acabara de trancar sua atual faculdade de astronomia para percorrer novos horizontes em outra área. Seus cabelos eram castanhos como o tronco da árvore mais bela, Yggdrasil - a árvore da vida. Dava cor ao jardim que ficava em frente a sua casa e contrastava com as cores de suas tatuagens pelo corpo, como se houvesse, entre elas, uma valsa eterna e singular.
Adorava ler romances, os nacionais fascinavam e enchiam sua vida de alegria e devaneios. Os livros, colocados ao lado de uma xícara de café, conversavam com seus receios sobre os romances reais. O medo do distanciamento após a valsa e a mistura dos sentimentos era nítido.
Um dia, pelas linhas traçadas pelo destino, conhecera alguém diferente. Alguém que compartilhava de vários gostos parecidos aos daquela garota, alguém que, ao ter uma conversa, proporcionava um sentimento prazeroso à ambos, recíproco. A cada momento, cada palavra, seu rosto esboçava um sorriso que não vinha da mente, mas do coração. E para esse alguém, o mesmo ocorria.
Estava chovendo, o frio tomava conta de tudo, a neblina proporcionava um ambiente digno de cinema, das ruas clássicas de Londres. Ele estava com uma blusa de manga comprida e mesmo assim tremia de frio, já Any estava de short, uma blusinha leve, rindo da situação em que ele se encontrava. Pobre coitado, não estava acostumado com o clima local.
Chegara até ali, era isso que importava: poder contemplar a beleza digna do olhar de sua amada, abraçá-la e se envolver na valsa dos corpos pela primeira vez. Foi perfeito, sorriu, sentiu, amou. Porém ele era ingênuo, medroso, covarde. Não conseguia contar a situação atual em que se encontrava para Any e terminou por meter os pés pelas mãos, acabando com o coração da garota.
O tempo passou, resolveu tudo o que tinha de resolver, decidiu voltar ao encontro da mesma. Pegou o primeiro trem e um livro para entregá-la de presente. Enfrentou novamente o frio e o clima do qual não estava acostumado. Any não era qualquer uma, era especial. Apareceu na sua porta, ensopado pela chuva, tirou o livro de dentro da jaqueta onde protegia das gotas grossas, frias, e entregou a ela. Queria ter, consigo, um pouco de flores, mas não achara nenhuma floricultura aberta durante a madrugada.
Explicou tudo o que acontecera, que não era sua intenção magoá-la e que não era como os outros, que viera até ali apenas para entregar o livro, pois já se conformara que não voltaria a tê-la novamente. Any, por sua vez, jogou o livro garagem a dentro, abraçou-o fortemente, agora ambos molhados pela chuva que caía, olhou nos seus olhos e beijou aquele que aparecera em sua vida através das linhas do destino.
Neste momento, durante o sentimento daquele beijo caloroso que Any dera, acaba por acordar em uma das paradas do ônibus. Olhou pela janela molhada e embaçada, agarrou o livro embrulhado em um papel de presente, soltou um suspiro, e desceu em direção à faculdade.
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