Naquela sala antiga, sentava-se em uma poltrona, bebendo seu whisky. Na outra mão um charuto, antigo, já seco pelo passar dos tempos. Não ligava para o sabor amargo que preenchia sua boca, aquilo o whisky queimava.
A lareira, já próxima de se apagar, estalava pedaços de jornais antigos, já devorados nas manhãs frias e cinzas de seu simples cotidiano. O som que aquela cidade grande e antiga cuspia caía direto na janela do seu quarto andar. A luz morna e os móveis de madeira rústica compunham um cenário aconchegante, calmo, tranquilo.
Não tinha pressa, na verdade tinha todo o tempo do mundo para aquele charuto. Ainda que o gelo de seu copo já havia se tornado um com aquela bebida amarela que aquece a alma e anestesia o corpo, o sabor permanecia o mesmo em sua boca.
E ali fica, sentado, dando goles e goles entre as buzinas e freadas. Seu olhar permanece o mesmo, esperando que o relógio dê a badalada final.
Seus óculos, já surrados de uso, guardam imagens, lembranças, sorrisos, lágrimas, abraços, alegrias e tristezas. Joseph já estava farto de toda aquela emoção e dinâmica que o mundo tinha a oferecer. Naquele momento, seu momento, tudo que ele precisava estava naquela sala: uma garrafa já pela metade de seu whisky escocês, uma caixa quase no fim de charutos que ganhara de seu neto e um livro de Shakespeare que havia comprado há uns anos atrás em um sebo que já havia deixado de abrir as portas.
Ele estava ficando velho, o tempo parou de correr e começou a caminhar ao seu lado com passos lentos. Agora eram amigos, mesmo que por um curto período.
Os dias eram assim, um seguido do outro, passo após passo. Até que, em um domingo chuvoso, guardou o copo, fechou a caixa de seus charutos favoritos, colocou o livro sobre o peito, parou e abraçou aquele velho amigo chamado tempo.
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