Vidas passadas, quem acredita? Devo confessar que não acreditava muito, até então.
Naquele momento em que os olhares se cruzam o mundo se cala. Não existe música, não existem conversas, os corações parecem pulsar em sincronia. Um aperto no peito define o despertar de algo há muito tempo adormecido.
O gole de café se torna profundo, o calor daquele líquido repleto de significado e memórias traz à tona um coração acelerado, um resquício da imagem dos teus olhos. Ah, se soubesse o quão incríveis são os olhos teus, olhar que carrega o mundo, penetra a alma e derruba todas as muralhas que eu havia construído para me proteger. Realmente, seu olhar é a coisa mais linda que eu já vi.
O tempo, ah o tempo, o maior arquiteto de tudo, onde um simples detalhe pode fazer toda a diferença. O tempo não tem pena, muito menos empatia. O tempo cria romances e dramas, sorrisos e lágrimas, saudades e esperanças de algo que talvez nunca aconteça. O tempo cura e também abre feridas, costura e dilacera a alma, tudo com um simples olhar.
Quanto tempo fiquei preso no seu olhar? Eu já nem sei mais. Aos meus olhos foi uma eternidade, aos seus? Talvez uma fração de segundo. O tempo fecha, a chuva cai, cada gota toca o rosto como se estivesse mostrando que algo ainda vive. O tempo e o tempo, a hora e a chuva, moonlight e seu reflexo na lagoa. Helena e Lucas.
Tomo outro gole de café cujo intervalo me mostra quão ínfimo é o meu olhar para o dia a dia. Tanta coisa acontece em um minuto e nem me dou conta... Respiro fundo, sinto uma breve tranquilidade, depois de anos sem saber o que era isso, sinto novamente que estou vivo. Por fim, deixo o copo vazio na pia, solto um sorriso pelo canto da boca, olho para as horas e continuo seguindo.
No fundo, estou feliz.
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